quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Notebook com peças de Madeira da Amazônia



Por Wilson Lima

O equipamento, que representa importante avanço tecnológico e tornou-se ferramenta indispensável na vida do cidadão globalizado, vai ganhar características caboclas. O 'notebook com peças de madeira', terá as mesmas funções do computador a que estamos acostumados, a diferença é que boa parte da estrutura física será de resíduos florestais.

Além do apelo ambiental e de um design diferente, a criação do produto agrega outro importante elemento, a valorização dos artesãos, que também serão utilizados na confecção das peças. O projeto que começou a ser desenvolvido em julho deste ano e está orçado em torno de 900 mil reais, ganhou visibilidade na rodada de projetos da IV Feira Internacional da Amazônia, realizada em setembro, na cidade de Manaus.

A inciativa é do pesquisador da Fundação Centro de Análise Pesquisa e Inovação Tecnológica – FUCAPI, Dioclécio Moreira Camelo, doutor em engenharia do design pela Universitat Jaume I, na Espanha e especialista em desenvolvimento de software pela Universidade Federal do Amazonas – UFAM. Segundo ele o financiamento do protótipo tem apoio de empresas do pólo industrial de Manaus que teriam interesse em fabricar o produto.

O inventor não quis informar que grupos estariam interessados em comprar a idéia, mas adiantou que eles estão otimistas. “O produto está praticamente pronto. Não posso revelar o nome dos interessados porque estamos em negociação. Alguns estudos ainda precisam ser aprofundados. O preço do produto ainda não é possível calcular, por exemplo”, informa Dioclécio.

Próxima etapa

Até ficar pronto para ser ‘entregue’ à indústria, o projeto deve contar com diversas etapas de ensaios sobre o material para garantir segurança, resistência e leveza. Segundo o pesquisador não se trata somente da substituição das peças de plástico por peças em madeira, o produto tem que ser confiável e seguro. Para isto, é preciso garantir o cumprimento de regras internacionais.

A exemplo de outros projetos, o notebook, deverá adotar madeiras de plano de manejo, que apresentem o selo de reconhecimento internacional Forest Stewardship Council (FSC). A matéria prima precisa ser autorizada pelo instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Entre as espécies que poderão ser utilizadas estão o ipê tabaco, pau-ferro, faieira, piquiarana e a muirapiranga.

A idéia inicial é desenvolver uma série limitada de computadores portáteis, todos produzidos com espécies de madeiras certificadas em sua carcaça, de acordo com a necessidade do usuário, como recursos, modelo, etc. “ O trabalho de aplicação de pequenos pedaços ou resíduos da floresta vai permitir que pessoas de outras partes do mundo possam ter acesso aos notebooks de alta tecnologia com pedacinhos da Amazônia. E o mais interessante, sem degradar o meio ambiente”, frisa.

Invasões em Manaus são uma das maiores inimigas do meio ambiente


Por Louise Simões

Numa ação que durou quase duas semanas várias espécies da fauna e flora das áreas verdes e de preservação permanente dos loteamentos Águas Claras e Parque das Garças, na Colônia Japonesa, dentro da cidade de Manaus, sofreram um grande golpe em mais uma tentativa de invasão do local. Em apenas quatro anos essa foi a oitava tentativa de transformar a área em loteamentos irregulares.

De acordo com as autoridades, incluindo os lotes particulares, áreas verdes e institucionais, o terreno invadido foi de aproximadamente 100 hectares. Dentro desse total, 40 são áreas de preservação, sendo 12 deles de preservação permanente, que corresponde às margens dos igarapés atingidos. Além dos estragos ambientais causados pelos quase seis mil invasores, durante o período de invasão o loteamento virou um verdadeiro comércio.

Destruição

Num balanço feito pela Coordenadoria de Áreas Protegidas da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), aproximadamente 38% da vegetação do local foi destruída. Cálculos apontam à perda de 10 mil árvores, por meio de desmates e queimadas, levando, conseqüentemente, a uma alta taxa de mortalidade animal. A chefa do Núcleo Refúgio da Vida Silvestre Sauim Castanheiras, localizado na zona leste de Manaus, Caroline Nabeshima, afirma que a área invadida é rica em espécies de animais silvestres, o que levou os agentes e voluntários que trabalharam no resgate a acreditar que houve muitas perdas.
100 Hectares foram destruídos em duas semanas

Com a queimada e o desmatamento muitos animais saíram da floresta em direção a zona urbana, por conta disso o trabalho de resgate foi feito em parceria com alguns moradores das proximidades da invasão. De acordo com Carolina Nabeshima no período da invasão em setembro de 2008 foram resgatados aproximadamente 62 animais vivos: sendo 43 preguiças, três tamanduás, três aves, três cobras e 13 jacarés.

A maior parte dos animais, principalmente os filhotes de jacarés, apresentou ferimentos e alto grau de estresse. Alguns com ferimentos profundos, como a pata e o rabo amputado provavelmente a golpes de terçado. As preguiças, que são animais comumente dóceis, estavam muito agressivas por terem sido bastante manipuladas no local.

Alguns animais que sofreram ferimentos graves não resistiram. “Infelizmente, não são todas as pessoas que se sensibilizavam com a situação dos animais, principalmente sobre os filhotes que não ofereciam o menor risco”, afirmou Caroline. Ela cita o caso do filhote de jacaré tinga (Caiman crocodilus), medindo aproximadamente 15 centímetros, que foi encontrado numa área de charco (margem de igarapé) com vários ferimentos profundos e logo depois morreu. A espécie é comum na região. “Felizmente, ainda existe fauna no local e será possível recompor a área com ações de limpeza e replantio de espécies da flora”, afirmou Caroline.

Efeitos colaterais

Representantes da Semma disseram que a ocupação desordenada das margens dos igarapés do Goiabinha (que drena todo o bairro da Cidade Nova, um dos maiores de Manaus, localizado na Zona Norte) e do Geladinho, ambos afluentes do Igarapé do Mindu, que corta a cidade de norte a sul, podem vir a ter reflexos diretos sobre o curso d`água principal da bacia.

Entre as conseqüências houve também um aumento de despejo dos resíduos sólidos direto no esgoto sem tratamento, assoreamento e o aumento das alagações na área do Mindú, inclusive em áreas da cidade que, aparentemente, estão longe da invasão como os bairros Vieiralves e a Vila Amazônia, ambos localizados em zonas centrais da cidade. “Todo dano feito à bacia hidrográfica, com o desmatamento da vegetação ciliar dos igarapés tributários, refletiram no curso d’água principal, atingindo áreas da cidade e a vazante do local da invasão”, diz a Coordenadora de Gestão Territorial e Ambiental da Semma, Claudia Steiner.

O problema

Na tentativa de evitar maiores impactos ambientais a Semma foi uma das secretárias que solicitou aos órgãos competentes a retirada dos invasores. A autorização foi acatada de imediato pela Justiça, mas como a cidade estava passando por período eleitoral o cumprimento da ação demorou alguns dias a mais que o esperado, o que segundo a Secretária da Semma, Luciana Valente, aumentou os estragos ambientais. “A cada dia que se passava mais pessoas chegavam à área e passaram a ser enganadas pela falsa promessa de terra, e os danos ambientais e sociais se avolumaram. Não entendemos qual a relação entre o cumprimento de uma ordem judicial e o período eleitoral”.

A retirada aconteceu no dia dois de outubro. Para ter dimensão do impacto ambiental causado pela invasão, no dia seguinte a retirada dos invasores, a Prefeitura utilizou 30 caminhões-caçambas, dois tratores e mais de 100 funcionários da limpeza pública para coletar o lixo e restos de árvores derrubadas que ainda estavam no local.

Recuperação

A ação de reflorestamento do local para tentar reverter parte dos estragos já foi programada. Teve início no dia 18 de outubro. O ato simbólico contou com a participação dos moradores e escolas do entorno da área devastada. De acordo com a Semma, se não ocorrer mais nenhuma tentativa de invasão a área pode voltar a ser o que era em pelo menos dez anos.

A líder da invasão, Vera Lúcia Catanhede da Silva foi presa e encaminhada para a Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa. A prisão foi realizada pela Delegacia Especializada em Crimes contra o Meio Ambiente (Dema). Vera foi autuada em flagrante por esbulho e crime ambiental grave por ter ludibriado as milhares de pessoas para participaram da invasão com a promessa de lotes de graça para todos, invadindo inclusive áreas particulares do loteamento.

A invasão do Loteamento Águas Claras pode ser considerada a segunda maior invasão em termos de destruição ambiental.

sábado, 25 de outubro de 2008

Paratleta amazonense é favorito em campeonato nacional





Por Lorena Brandão

Após o sucesso das olimpíadas e da natação paraolímpica em Pequim nos meses de julho e setembro de 2008, muito ainda se comenta quanto aos resultados do Brasil durante as competições.

No quadro geral de medalhas os atletas paraolímpicos brasileiros, foram os que mais se destacaram, trazendo para o país 16 medalhas de ouro bem merecidas.

Mesmo não tendo participado da Paraolimpíada de Pequim o paratleta amazonense, Simplício Augusto de Menezes Campos, 21 anos, é uma das esperanças do estado do Amazonas em competições nacionais que reúnem portadores de deficiência e a natação.

Apesar de ter perdido um dos membros superiores em um acidente de carro, Simplício é um exemplo de superação para muitos jovens. Mesmo tendo ficado deficiente, ele continuou a praticar a natação e tenta levar uma vida normal demonstrando que, com força de vontade as dificuldades podem ser vencidas.

Uma destas dificuldades é o apoio de patrocinadores, superado em julho deste ano a partir de um contrato de patrocínio assinado com o Banco da Amazônia. O patrocínio era o que faltava para decolar a carreira de atleta. “Antes de conseguir este patrocínio tentei algumas parcerias sem sucesso. Hoje continuo a fazer o que gosto e sei que tenho melhores chances de vencer competições importantes como o Campeonato Nacional de Natação, que este ano será realizado em Fortaleza”, revela.

Com os recursos do patrocínio, Simplício consegue manter uma dieta adequada a base de suplementos alimentares, uniformes, passagens, transporte, treinos regulares e itens essenciais a um atleta que busca vitórias.

Patrocinar o esporte faz parte da política institucional do Banco da Amazônia. Hoje a instituição financeira apóia modalidades como: judô e remo, além dos atletas deficientes, tanto em Manaus quanto em Belém, sede da instituição. Lá o patrocínio é dado a um time de basquete sobre rodas. Em contrapartida, os atletas divulgam o nome do banco nas competições em que participam, como uma forma de reconhecer o apoio recebido.

Atualmente, Simplício se prepara para o Campeonato Nacional de Natação a ser realizado na cidade de Fortaleza nos dias 8 e 9 de novembro. Em busca da vitória o paratleta treina diariamente no parque aquático da Vila Olímpica de Manaus, ao mesmo tempo ele desenvolve atividades do dia-a-dia, como cursar o 2º período da faculdade de processamento de dados, sair com os amigos e trabalhar.

Principais títulos de Simplicio Campos:


2007
  • Circuito Brasil Paraolímpico – Etapa Regional (Belém)
    1 Medalha de Prata
    2 Medalhas de Bronze
    Índice para Etapas Nacionais (Porto Alegre - São Paulo)
  • Jogos SESI das Indústrias do Amazonas
    2 Medalhas de Ouro
    1 Medalha de Bronze
  • Circuito Brasil Paraolímpico Segunda Etapa e Universitário (São Paulo)
    1 Medalha de Ouro
    2 Medalhas de Prata
    1 Medalha de Bronze

2008

  • Circuito Brasil Paraolímpico – Etapa Regional (Natal-RN)
    2 Medalhas de Prata
    2 Medalhas de Bronze
  • Circuito Brasil Paraolímpico – Etapa Nacional (Uberlândia-MG)
    1 Medalha de Prata
    1 Medalhas de Bronze

Conhecendo a natação para deficientes

A prática da natação traz inúmeros benefícios, para os portadores de deficiência não é diferente, pois, além das melhorias físicas, nadar proporciona a integração social, a independência e o aumento da auto-estima entre os praticantes.

Com um programa de treinamento sério e a conseqüente profissionalização dos atletas portadores de deficiência, surge um novo cenário que leva a natação paraolímpica. Sai de cena o esporte como forma de reabilitação e entra o esporte de alto-rendimento.

Recomendada a atletas com todos os tipos de deficiência, a natação é dividida em dois grupos: os portadores de deficiência visual e todos os outros tipos de deficiência.

Na natação paraolímpica, as regras gerais são as mesmas da natação convencional com algumas adaptações, principalmente quanto as saídas, viradas e chegadas e quanto à orientação de direção aos deficientes visuais.

As competições também são divididas em categorias masculina e feminina, respeitando o grau de deficiência de cada nadador, podendo ser individuais ou por equipe de revezamento, estando divida em categorias que vão de 1 a 14. Assim temos: os atletas com deficiência física (S1 a S10), atletas com deficiência visual/cegueira (S11 a S13) e atletas com deficiência intelectual (S14).

O nadador portador de deficiência física que deseja participar de competições de natação precisa ser submetido a uma equipe classificadora formada por clínicos (fisioterapeutas e médicos) e classificadores técnicos, que o destinarão à classe compatível com suas incapacidades funcionais a fim de habilitá-lo para disputar com outros nadadores que possuem o mesmo grau de comprometimento físico.