Por Lorena Brandão
Após o sucesso das olimpíadas e da natação paraolímpica em Pequim nos meses de julho e setembro de 2008, muito ainda se comenta quanto aos resultados do Brasil durante as competições.
No quadro geral de medalhas os atletas paraolímpicos brasileiros, foram os que mais se destacaram, trazendo para o país 16 medalhas de ouro bem merecidas.
Mesmo não tendo participado da Paraolimpíada de Pequim o paratleta amazonense, Simplício Augusto de Menezes Campos, 21 anos, é uma das esperanças do estado do Amazonas em competições nacionais que reúnem portadores de deficiência e a natação.
Apesar de ter perdido um dos membros superiores em um acidente de carro, Simplício é um exemplo de superação para muitos jovens. Mesmo tendo ficado deficiente, ele continuou a praticar a natação e tenta levar uma vida normal demonstrando que, com força de vontade as dificuldades podem ser vencidas.
Uma destas dificuldades é o apoio de patrocinadores, superado em julho deste ano a partir de um contrato de patrocínio assinado com o Banco da Amazônia. O patrocínio era o que faltava para decolar a carreira de atleta. “Antes de conseguir este patrocínio tentei algumas parcerias sem sucesso. Hoje continuo a fazer o que gosto e sei que tenho melhores chances de vencer competições importantes como o Campeonato Nacional de Natação, que este ano será realizado em Fortaleza”, revela.
Com os recursos do patrocínio, Simplício consegue manter uma dieta adequada a base de suplementos alimentares, uniformes, passagens, transporte, treinos regulares e itens essenciais a um atleta que busca vitórias.
Patrocinar o esporte faz parte da política institucional do Banco da Amazônia. Hoje a instituição financeira apóia modalidades como: judô e remo, além dos atletas deficientes, tanto em Manaus quanto em Belém, sede da instituição. Lá o patrocínio é dado a um time de basquete sobre rodas. Em contrapartida, os atletas divulgam o nome do banco nas competições em que participam, como uma forma de reconhecer o apoio recebido.
Atualmente, Simplício se prepara para o Campeonato Nacional de Natação a ser realizado na cidade de Fortaleza nos dias 8 e 9 de novembro. Em busca da vitória o paratleta treina diariamente no parque aquático da Vila Olímpica de Manaus, ao mesmo tempo ele desenvolve atividades do dia-a-dia, como cursar o 2º período da faculdade de processamento de dados, sair com os amigos e trabalhar.
Principais títulos de Simplicio Campos:
2007- Circuito Brasil Paraolímpico – Etapa Regional (Belém)
1 Medalha de Prata
2 Medalhas de Bronze
Índice para Etapas Nacionais (Porto Alegre - São Paulo) - Jogos SESI das Indústrias do Amazonas
2 Medalhas de Ouro
1 Medalha de Bronze - Circuito Brasil Paraolímpico Segunda Etapa e Universitário (São Paulo)
1 Medalha de Ouro
2 Medalhas de Prata
1 Medalha de Bronze
2008
- Circuito Brasil Paraolímpico – Etapa Regional (Natal-RN)
2 Medalhas de Prata
2 Medalhas de Bronze - Circuito Brasil Paraolímpico – Etapa Nacional (Uberlândia-MG)
1 Medalha de Prata
1 Medalhas de Bronze
Conhecendo a natação para deficientes
A prática da natação traz inúmeros benefícios, para os portadores de deficiência não é diferente, pois, além das melhorias físicas, nadar proporciona a integração social, a independência e o aumento da auto-estima entre os praticantes.
Com um programa de treinamento sério e a conseqüente profissionalização dos atletas portadores de deficiência, surge um novo cenário que leva a natação paraolímpica. Sai de cena o esporte como forma de reabilitação e entra o esporte de alto-rendimento.
Recomendada a atletas com todos os tipos de deficiência, a natação é dividida em dois grupos: os portadores de deficiência visual e todos os outros tipos de deficiência.
Na natação paraolímpica, as regras gerais são as mesmas da natação convencional com algumas adaptações, principalmente quanto as saídas, viradas e chegadas e quanto à orientação de direção aos deficientes visuais.
As competições também são divididas em categorias masculina e feminina, respeitando o grau de deficiência de cada nadador, podendo ser individuais ou por equipe de revezamento, estando divida em categorias que vão de 1 a 14. Assim temos: os atletas com deficiência física (S1 a S10), atletas com deficiência visual/cegueira (S11 a S13) e atletas com deficiência intelectual (S14).
O nadador portador de deficiência física que deseja participar de competições de natação precisa ser submetido a uma equipe classificadora formada por clínicos (fisioterapeutas e médicos) e classificadores técnicos, que o destinarão à classe compatível com suas incapacidades funcionais a fim de habilitá-lo para disputar com outros nadadores que possuem o mesmo grau de comprometimento físico.