
Por Louise Simões
Numa ação que durou quase duas semanas várias espécies da fauna e flora das áreas verdes e de preservação permanente dos loteamentos Águas Claras e Parque das Garças, na Colônia Japonesa, dentro da cidade de Manaus, sofreram um grande golpe em mais uma tentativa de invasão do local. Em apenas quatro anos essa foi a oitava tentativa de transformar a área em loteamentos irregulares.
De acordo com as autoridades, incluindo os lotes particulares, áreas verdes e institucionais, o terreno invadido foi de aproximadamente 100 hectares. Dentro desse total, 40 são áreas de preservação, sendo 12 deles de preservação permanente, que corresponde às margens dos igarapés atingidos. Além dos estragos ambientais causados pelos quase seis mil invasores, durante o período de invasão o loteamento virou um verdadeiro comércio.
Destruição
Num balanço feito pela Coordenadoria de Áreas Protegidas da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), aproximadamente 38% da vegetação do local foi destruída. Cálculos apontam à perda de 10 mil árvores, por meio de desmates e queimadas, levando, conseqüentemente, a uma alta taxa de mortalidade animal. A chefa do Núcleo Refúgio da Vida Silvestre Sauim Castanheiras, localizado na zona leste de Manaus, Caroline Nabeshima, afirma que a área invadida é rica em espécies de animais silvestres, o que levou os agentes e voluntários que trabalharam no resgate a acreditar que houve muitas perdas.
100 Hectares foram destruídos em duas semanas
Com a queimada e o desmatamento muitos animais saíram da floresta em direção a zona urbana, por conta disso o trabalho de resgate foi feito em parceria com alguns moradores das proximidades da invasão. De acordo com Carolina Nabeshima no período da invasão em setembro de 2008 foram resgatados aproximadamente 62 animais vivos: sendo 43 preguiças, três tamanduás, três aves, três cobras e 13 jacarés.
A maior parte dos animais, principalmente os filhotes de jacarés, apresentou ferimentos e alto grau de estresse. Alguns com ferimentos profundos, como a pata e o rabo amputado provavelmente a golpes de terçado. As preguiças, que são animais comumente dóceis, estavam muito agressivas por terem sido bastante manipuladas no local.
Alguns animais que sofreram ferimentos graves não resistiram. “Infelizmente, não são todas as pessoas que se sensibilizavam com a situação dos animais, principalmente sobre os filhotes que não ofereciam o menor risco”, afirmou Caroline. Ela cita o caso do filhote de jacaré tinga (Caiman crocodilus), medindo aproximadamente 15 centímetros, que foi encontrado numa área de charco (margem de igarapé) com vários ferimentos profundos e logo depois morreu. A espécie é comum na região. “Felizmente, ainda existe fauna no local e será possível recompor a área com ações de limpeza e replantio de espécies da flora”, afirmou Caroline.
Efeitos colaterais
Representantes da Semma disseram que a ocupação desordenada das margens dos igarapés do Goiabinha (que drena todo o bairro da Cidade Nova, um dos maiores de Manaus, localizado na Zona Norte) e do Geladinho, ambos afluentes do Igarapé do Mindu, que corta a cidade de norte a sul, podem vir a ter reflexos diretos sobre o curso d`água principal da bacia.
Entre as conseqüências houve também um aumento de despejo dos resíduos sólidos direto no esgoto sem tratamento, assoreamento e o aumento das alagações na área do Mindú, inclusive em áreas da cidade que, aparentemente, estão longe da invasão como os bairros Vieiralves e a Vila Amazônia, ambos localizados em zonas centrais da cidade. “Todo dano feito à bacia hidrográfica, com o desmatamento da vegetação ciliar dos igarapés tributários, refletiram no curso d’água principal, atingindo áreas da cidade e a vazante do local da invasão”, diz a Coordenadora de Gestão Territorial e Ambiental da Semma, Claudia Steiner.
O problema
Na tentativa de evitar maiores impactos ambientais a Semma foi uma das secretárias que solicitou aos órgãos competentes a retirada dos invasores. A autorização foi acatada de imediato pela Justiça, mas como a cidade estava passando por período eleitoral o cumprimento da ação demorou alguns dias a mais que o esperado, o que segundo a Secretária da Semma, Luciana Valente, aumentou os estragos ambientais. “A cada dia que se passava mais pessoas chegavam à área e passaram a ser enganadas pela falsa promessa de terra, e os danos ambientais e sociais se avolumaram. Não entendemos qual a relação entre o cumprimento de uma ordem judicial e o período eleitoral”.
A retirada aconteceu no dia dois de outubro. Para ter dimensão do impacto ambiental causado pela invasão, no dia seguinte a retirada dos invasores, a Prefeitura utilizou 30 caminhões-caçambas, dois tratores e mais de 100 funcionários da limpeza pública para coletar o lixo e restos de árvores derrubadas que ainda estavam no local.
Recuperação
A ação de reflorestamento do local para tentar reverter parte dos estragos já foi programada. Teve início no dia 18 de outubro. O ato simbólico contou com a participação dos moradores e escolas do entorno da área devastada. De acordo com a Semma, se não ocorrer mais nenhuma tentativa de invasão a área pode voltar a ser o que era em pelo menos dez anos.
A líder da invasão, Vera Lúcia Catanhede da Silva foi presa e encaminhada para a Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa. A prisão foi realizada pela Delegacia Especializada em Crimes contra o Meio Ambiente (Dema). Vera foi autuada em flagrante por esbulho e crime ambiental grave por ter ludibriado as milhares de pessoas para participaram da invasão com a promessa de lotes de graça para todos, invadindo inclusive áreas particulares do loteamento.
A invasão do Loteamento Águas Claras pode ser considerada a segunda maior invasão em termos de destruição ambiental.
Numa ação que durou quase duas semanas várias espécies da fauna e flora das áreas verdes e de preservação permanente dos loteamentos Águas Claras e Parque das Garças, na Colônia Japonesa, dentro da cidade de Manaus, sofreram um grande golpe em mais uma tentativa de invasão do local. Em apenas quatro anos essa foi a oitava tentativa de transformar a área em loteamentos irregulares.
De acordo com as autoridades, incluindo os lotes particulares, áreas verdes e institucionais, o terreno invadido foi de aproximadamente 100 hectares. Dentro desse total, 40 são áreas de preservação, sendo 12 deles de preservação permanente, que corresponde às margens dos igarapés atingidos. Além dos estragos ambientais causados pelos quase seis mil invasores, durante o período de invasão o loteamento virou um verdadeiro comércio.
Destruição
Num balanço feito pela Coordenadoria de Áreas Protegidas da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), aproximadamente 38% da vegetação do local foi destruída. Cálculos apontam à perda de 10 mil árvores, por meio de desmates e queimadas, levando, conseqüentemente, a uma alta taxa de mortalidade animal. A chefa do Núcleo Refúgio da Vida Silvestre Sauim Castanheiras, localizado na zona leste de Manaus, Caroline Nabeshima, afirma que a área invadida é rica em espécies de animais silvestres, o que levou os agentes e voluntários que trabalharam no resgate a acreditar que houve muitas perdas.
100 Hectares foram destruídos em duas semanas
Com a queimada e o desmatamento muitos animais saíram da floresta em direção a zona urbana, por conta disso o trabalho de resgate foi feito em parceria com alguns moradores das proximidades da invasão. De acordo com Carolina Nabeshima no período da invasão em setembro de 2008 foram resgatados aproximadamente 62 animais vivos: sendo 43 preguiças, três tamanduás, três aves, três cobras e 13 jacarés.
A maior parte dos animais, principalmente os filhotes de jacarés, apresentou ferimentos e alto grau de estresse. Alguns com ferimentos profundos, como a pata e o rabo amputado provavelmente a golpes de terçado. As preguiças, que são animais comumente dóceis, estavam muito agressivas por terem sido bastante manipuladas no local.
Alguns animais que sofreram ferimentos graves não resistiram. “Infelizmente, não são todas as pessoas que se sensibilizavam com a situação dos animais, principalmente sobre os filhotes que não ofereciam o menor risco”, afirmou Caroline. Ela cita o caso do filhote de jacaré tinga (Caiman crocodilus), medindo aproximadamente 15 centímetros, que foi encontrado numa área de charco (margem de igarapé) com vários ferimentos profundos e logo depois morreu. A espécie é comum na região. “Felizmente, ainda existe fauna no local e será possível recompor a área com ações de limpeza e replantio de espécies da flora”, afirmou Caroline.
Efeitos colaterais
Representantes da Semma disseram que a ocupação desordenada das margens dos igarapés do Goiabinha (que drena todo o bairro da Cidade Nova, um dos maiores de Manaus, localizado na Zona Norte) e do Geladinho, ambos afluentes do Igarapé do Mindu, que corta a cidade de norte a sul, podem vir a ter reflexos diretos sobre o curso d`água principal da bacia.
Entre as conseqüências houve também um aumento de despejo dos resíduos sólidos direto no esgoto sem tratamento, assoreamento e o aumento das alagações na área do Mindú, inclusive em áreas da cidade que, aparentemente, estão longe da invasão como os bairros Vieiralves e a Vila Amazônia, ambos localizados em zonas centrais da cidade. “Todo dano feito à bacia hidrográfica, com o desmatamento da vegetação ciliar dos igarapés tributários, refletiram no curso d’água principal, atingindo áreas da cidade e a vazante do local da invasão”, diz a Coordenadora de Gestão Territorial e Ambiental da Semma, Claudia Steiner.
O problema
Na tentativa de evitar maiores impactos ambientais a Semma foi uma das secretárias que solicitou aos órgãos competentes a retirada dos invasores. A autorização foi acatada de imediato pela Justiça, mas como a cidade estava passando por período eleitoral o cumprimento da ação demorou alguns dias a mais que o esperado, o que segundo a Secretária da Semma, Luciana Valente, aumentou os estragos ambientais. “A cada dia que se passava mais pessoas chegavam à área e passaram a ser enganadas pela falsa promessa de terra, e os danos ambientais e sociais se avolumaram. Não entendemos qual a relação entre o cumprimento de uma ordem judicial e o período eleitoral”.
A retirada aconteceu no dia dois de outubro. Para ter dimensão do impacto ambiental causado pela invasão, no dia seguinte a retirada dos invasores, a Prefeitura utilizou 30 caminhões-caçambas, dois tratores e mais de 100 funcionários da limpeza pública para coletar o lixo e restos de árvores derrubadas que ainda estavam no local.
Recuperação
A ação de reflorestamento do local para tentar reverter parte dos estragos já foi programada. Teve início no dia 18 de outubro. O ato simbólico contou com a participação dos moradores e escolas do entorno da área devastada. De acordo com a Semma, se não ocorrer mais nenhuma tentativa de invasão a área pode voltar a ser o que era em pelo menos dez anos.
A líder da invasão, Vera Lúcia Catanhede da Silva foi presa e encaminhada para a Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa. A prisão foi realizada pela Delegacia Especializada em Crimes contra o Meio Ambiente (Dema). Vera foi autuada em flagrante por esbulho e crime ambiental grave por ter ludibriado as milhares de pessoas para participaram da invasão com a promessa de lotes de graça para todos, invadindo inclusive áreas particulares do loteamento.
A invasão do Loteamento Águas Claras pode ser considerada a segunda maior invasão em termos de destruição ambiental.

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